Filmes assistidos em fevereiro de 2012

  • Reis e Ratos, Mauro Lima
  • A Invenção de Hugo Cabret, Martin Scorcese
  • A Dama de Ferro, Phyllida Lloyd
  • Os Descendentes, Alexander Payne
  • Os Homens que não amavam as Mulheres, David Fincher
  • À Beira do Abismo, Asger Leth
  • O Artista, Michel Hazanavicius

sexta-feira, 2 de março de 2012

Segmento do Audiovisual envia carta aberta à Presidenta Dilma




CARTA ABERTA À SENHORA PRESIDENTA DA REPÚBLICA


Em 29 de fevereiro de 2012


À
Senhora
Dilma Rousseff
Presidenta da República
PALÁCIO DO PLANALTO
Brasília - DF


Excelentíssima Senhora Presidenta Dilma Rousseff,

Face à presente campanha da operadora Sky nos órgãos de comunicação, que acreditamos orquestrada por agentes do mercado televisivo contra a implantação da Lei 12.485/11, que, a exemplo de legislações de outros países, determina a obrigatoriedade de exibição de conteúdo nacional de produção independente no serviço de acesso condicionado (TV por assinatura), nós, associações profissionais representativas da produção audiovisual independente do Brasil, nos manifestamos perante Vossa Excelência no sentido dos seguintes pontos que cremos ser de natureza relevante na apreciação da questão:

1.      A televisão é o mais complexo e importante veículo de comunicação social. Produz cultura, veicula cultura, é em si cultura. Por meio da programação do que exibimos em nossos aparelhos de TV, domésticos e coletivos, divulgamos nossa realidade, costumes, língua, artes, política, história. A ela deve-se a consolidação e o exercício da cidadania. Por essas razões é bem de interesse público, como tal reconhecido em todo o mundo, e o direito a explorá-la objeto de regulação do Estado moderno.

2.      No Brasil, esta função regulatória vem sendo exercida pela ANATEL e agora, com a Lei 12.485/11, compartida com a ANCINE. Com esta lei, não somente passam a estar reguladas as plataformas de emissão de programas e de sinais, como também a origem dos conteúdos veiculados na TV por assinatura, garantindo, assim, ao cidadão o acesso à produção de obras brasileiras realizadas fora dos estúdios das emissoras de televisão.

3.      Os princípios da regulamentação norte-americana dos anos 50 do século passado, que propiciaram o fortalecimento de Hollywood, finalmente passam a ser adotados no Brasil. Com isto, cresce nossa indústria do audiovisual e se proporciona ao cidadão o acesso a uma maior diversidade de obras brasileiras. Mais emprego, mais desenvolvimento, mais know-how, mais exportação são gerados pela presença de mais cultura brasileira nas telas do país e do mundo.

4.      O que os adversários da Lei 12.485/11 temem é a mudança. É saber que dentro de alguns anos o país pode passar de consumidor a produtor e exportador. É não aceitar que a produção audiovisual brasileira possa participar efetivamente do mercado mundial e tampouco de seu próprio mercado. Algo semelhante ao que ocorreu no início da indústria petrolífera no Brasil.

5.      A campanha contra a implantação desta lei tem origem neste comodismo, que atende a interesses que não condizem com um país cuja soberania é hoje objeto de admiração, respeito e reconhecimento em todo o mundo.

6.      Capitaneada pela operadora Sky, esta campanha tem como objetivo apenas beneficiar empresas exclusivamente voltadas para a exploração de nosso crescente mercado interno, sem nada oferecer em troca. Por meio de ações judiciais e milionárias campanhas publicitárias assediam com cínicos sofismas a opinião pública buscando influenciá-la contra o direito soberano da nação de regulamentar suas concessões públicas.

7.      Buscam confundir “regulamentação” com “censura” e “imposição autocrática”. Buscam desqualificar uma lei, formulada e debatida por cinco anos no Congresso Nacional, que passou por todas as instâncias processuais e foros de discussão democráticos. Buscam identificá-la como fruto do autoritarismo e não como resultado de um grande entendimento nacional. Buscam desmoralizar as agências reguladoras atacando-lhes as atribuições legais e dos que ali estão para cumpri-las.

8.      Utilizam-se da concessão que lhes foi atribuída pelo Estado incitando a população contra o Legislativo e contra o Executivo. Trata-se, em suma, de um comportamento incompatível com empresas que atuam num país orientado pelos princípios da democracia, do respeito às instituições, da livre iniciativa e do cumprimento às leis.

9.      A regulamentação da Lei 12.485/11 está aberta a todos. Sua implantação aponta novas e promissoras portas e oportunidades de negócios. Deve ser recebida pela sociedade, pelos profissionais e pelas empresas como uma grande oportunidade de participar de uma atividade de crescente importância industrial e cultural. À altura do que queremos para o país.

É assim, Senhora Presidente, que nos dirigimos a Vossa Excelência, cumprimentando-a pelos avanços já obtidos na aprovação e na sanção da Lei 12.485/11, mas, igualmente, reiterando nosso apelo para que se dê continuidade ao apoio do Poder Executivo para a conclusão da regulamentação e implantação destes instrumentos legais de importância histórica para o país.

Respeitosamente,
ABPITV – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Televisão
Marco Altberg


ABRACI – Associação Brasileira de Cineastas
Rodolfo Brandão


ABRE – Associação Brasileira dos Realizadores de Filmes de Longa Metragem
Renato Barbieri 


APACI – Associação Paulista de Cineastas
Rubens Rewald


APBA - Associação Produtoras Brasileiras de Audiovisual 
Assunção Hernandez


APCBA  -  Associação de Produtores e Cineastas da Bahia
Jorge Alfredo Guimarães


APCNN – Associação dos Produtores e Cineastas do Norte e Nordeste
Wolney Oliveira


APRO – Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais
Leyla Fernandes


APROCINE - Associação dos Produtores e Realizadores de Filmes de Longa Metragem de Brasília
Manfredo Caldas


APROECE - Associação de Cineastas e Produtores do Ceará 
Moisés Pedro Magalhães de Lima


AR – Associação dos Roteiristas do Brasil
Newton Cannito


CBC / Congresso Brasileiro de Cinema
João Baptista Pimentel Neto


CINEMA BRASIL - Instituto Cultural Cinema Brasil
Marcos Manhães Marins


Coalização da Diversidade Cultural do Brasil


SANTACINE  -  Sindicato da Industria do Audiovisual de Santa Catarina
Bhig Villas Bôas


SIAESP – Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo
André Sturm


SIAV RS  -  Sindicato da Industria Audiovisual do Rio Grande do Sul
Henrique de Freitas Lima


SICAV – Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual
Mariza Leão Rezende 


UNINFRA  -  União Nacional de Infraestrutura Cinematográfica
Edina Fujii


ABD – Associação Brasileira de Documentaristas
ABD - DF - André Carvalheira
ABD - GO - Carlos Cipriano Gomes Junior
ABD - MG - Marco Aurélio 
ABD - PR - Guto Pasko

ABD - PI - Kleyton Marinho
ABD - RJ - Clementino Junior
ABD – ES – Alexandre Serafini

ABD – SC  - Natalia Poli
ABD – SP  -  Celso Gonçalves
ABDeC – RJ  -  Clementino Junior
APTC ABD - RS - Alfredo Barros

CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros 
Luiz Alberto Brizola Cassol 


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Regulamentação da lei do SeAC tem sua primeira audiência pública

10/02/2012 12:04

Representantes de entidades do setor apresentaram sugestões para o aprimoramento das normas

Foi realizada na tarde de quinta-feira, 9, a primeira audiência pública da ANCINE sobre as Instruções Normativas que regulamentarão a Lei 12.485/2011, no âmbito da Comunicação Audiovisual no Serviço de Acesso Condicionado – SeAC. Compareceram ao auditório do prédio do Ministério da Fazenda, no Rio de Janeiro, representantes de diversos órgãos, empresas e entidades representativas do mercado, como a Associação Brasileira de TV por Assinatura – ABTA, a Associação Brasileira de Programadores de Televisão por Assinatura – ABPTA, a Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão – ABPITV, a Associação de Produtores e Cineastas do Norte e Nordeste – APCNN, a Associação de Produtores e Realizadores de Filmes de Longa Metragem de Brasília – APROCINE, a Empresa Brasil de Comunicação – EBC, além de representantes da sociedade civil. Todos puderam apresentar suas dúvidas e sugestões à ANCINE.

A mesa diretora da audiência foi composta por Rosana Alcântara, superintendente executiva da ANCINE; Valério Vieira, ouvidor-geral; Maurício Hirata, superintendente de Registro; e Alexander Patêz Galvão, assessor da Diretoria Colegiada.  

A Lei 12.485/2011, sancionada em setembro de 2011 pela Presidenta Dilma Rousseff, estabelece um novo marco legal para a TV paga no Brasil e garante mais espaço para a produção audiovisual brasileira. Suas metas são promover a competitividade e a pluralidade do mercado, fortalecer as programadoras e produtoras brasileiras independentes e ampliar o acesso dos espectadores a conteúdos e canais brasileiros, estimulando a sustentabilidade da indústria audiovisual nacional e a ampliação do acesso da população a conteúdos produzidos no país.

A audiência pública começou com breves exposições sobre as duas Instruções Normativas  cujas minutas continuam em consulta pública no portal da ANCINE até o dia 3 de março. A primeira IN trata de aspectos gerais da Lei 12.485, incluindo a obrigatoriedade de veiculação de conteúdos nacionais nos canais de espaço qualificado, no horário nobre. A segunda trata do credenciamento de agentes econômicos do SeAC na Agência, adaptando conceitos e procedimentos da IN 91 às necessidades regulatórias decorrentes da nova lei, além de definir critérios e limites para controle e a participação societária entre as empresas programadoras e empacotadoras.

Rosana Alcântara fez a primeira apresentação, lembrando que a Lei 12.485 traz um forte impacto não apenas sobre o mercado de televisão por assinatura, mas também sobre o mercado de banda larga, e sobre o mercado de audiovisual em geral. "A Lei 12.485 é o primeiro marco regulatório realmente convergente, com uma base conceitual leve e capaz de evoluir. A principal força da lei está na abertura da cadeia de valor da atividade, e na separação da abordagem regulatória por camadas: a camada de telecomunicações, regulada pela ANATEL, e a camada de audiovisual, regulada pela ANCINE".   

Rosana também destacou que a intenção da ANCINE é promover uma transição suave entre a realidade atual e o novo cenário criado pela lei, estimulando programadores e produtores a negociarem a veiculação de produção audiovisual brasileira nos canais de TV paga.

Seguiram-se as exposições de Alexander Patêz e Mauricio Hirata, que detalharam alguns dispositivos da Lei 12.485 que estão sendo objeto de regulamentação por parte da Agência. Patêz recapitulou conceitos importantes da lei do SeAC, como o de espaço qualificado. "Espaço qualificado é aquele ocupado por conteúdos capazes de estruturar uma indústria e de gerar receitas após sua primeira comunicação pública".

Ao tratar da IN que trata do credenciamento dos agentes econômicos, Hirata apresentou a base legal da minuta proposta pela ANCINE e falou sobre as diretrizes da IN: "Entre as diretrizes gerais que orientaram a formulação dessa Instrução Normativa, estão a redução da burocracia e a otimização dos processos de interação com os entes regulados, com maior eficiência regulatória".

Na segunda-feira, 13 de fevereiro, será realizada em São Paulo a segunda audiência pública da ANCINE sobre as INs que regulamentam a Lei 12.485, na Cinemateca Brasileira (Largo Sen. Raul Cardoso, 207, Vila Mariana) a partir das 14h.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

LIVROS LIDOS EM JANEIRO DE 2012

  • A Casa de Vidro, Ivan Ângelo
  • Pode me beijar, se quiser, Ivan Ângelo
  • Estava nascendo o dia que conheceriam o mar, Lourenço Cazarré
  •  Clube dos Leitores de Histórias Tristes, Lourenço Cazarré
  •  Um Velho Velhado e seu Neto Bundão, Lourenço Cazarré
  •  

FILMES ASSISTIDOS EM JANEIRO DE 2012


  • Precisamos falar sobre o Kevin, Lynne Ramsay
  • A Fonte das Mulheres, Radu Mihaileanu
  • O Destemido Senhor da Guerra, Clint Eastwood (Mostra Clint Eastwood, IMS RJ)
  • As Ponte de Madson, Clint Eastwood (Mostra Clint Eastwood, IMS RJ)
  • Alcatraz, Fuga Impossível, Don Siegel (Mostra Clint Eastwood, IMS RJ)
  • Interlúdio de Amor, Clint Eastwood (Mostra Clint Eastwood, IMS RJ)
  • A Música Segundo Tom Jobim, Nelson Pereira dos Santos, Dora Jobim
  • 2 Coelhos, Afonso Poyart
  • Tomboy, Céline Sciamma
  • Dores & Amores, Ricardo Pinto e Silva (Mostra Imagem dos Povos BH)
  • As aventuras de Tintim, Steven Spielberg
  • Faça-me feliz, Emmanuel Mouret
  • A Guerra está declarada, Valérie Donzelli
  • Românticos Anônimos, Jean-Pierre Améris
  • Sherlock Holmes, o Jogo de Sombras, Guy Ritchie
  • As Aventuras de Agamenon, o repórter, Vitor Lopes
  • Cavalo de Guerra, Steven Spielberg
  • Compramos um Zoo, Cameron Crowne

domingo, 29 de janeiro de 2012

Duas visões sobre o amor, por Clint Eastwood

Muito boa a programação da Mostra Clint Eastwood - Clássico e Implacável (www.mostraclint.com.br) , em cartaz do Instituto Moreira Sales, no Rio de Janeiro.


Assisti a filmes que ainda não conhecia e pude rever outros,  dirigidos, produzidos e estrelados por Clint Eastwood.


A Mostra segue até o dia 16/02/12.




Interlúdio de Amor, direção de Clint Eastwood.


CURIOSIDADES
- Primeiro filme dirigido por Clint Eastwood em que ele não atua.

- Terceiro filme dirigido por Clint Eastwood.

- A atriz Deborah Winters foi cotada para o papel principal.

PRÊMIOS
- Indicado ao Globo de Ouro em três categorias: Trilha Sonora, Canção Original e Atriz Revelação.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Clint Eastwood
Elenco: William Holden, Kay Lenz, Roger C. Carmel, Marj Dusay, Joan Hotchkis, Jamie Smith-Jackson, Norman Bartold, Lynn Borden, Shelley Morrison, Dennis Olivieri, Eugene Peterson, Lew Brown, Richard Bull, Johnnie Collins III, Don Diamond
Produção: Robert Daley
Roteiro: Jo Heims
Fotografia: Frank Stanley
Trilha Sonora: Michel Legrand
Duração: 102 min.
Ano: 1973
País: EUA
Gênero: Romance
Cor: Colorido
Estúdio: Malpaso Productions




As Pontes de Madson, direção de Clint Eastwood

CURIOSIDADES
- Em sua autobiografia, Catherine Deneuve diz que viajou a Londres para fazer teste para o papel principal deste filme. Entre as outras candidatas à personagem, estavam Susan Sarandon, Jessica Lange, Barbara Hershey e Anjelica Huston.

- Em 1993, Sydney Pollack era o principal candidato para dirigir este filme.

- Robert Redford foi cotado para estrelar o filme.

PRÊMIOS
- Indicado ao Oscar na categoria de Melhor Atriz (Meryl Streep).

- Indicado ao César de Melhor Filme Estrangeiro.

- Indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Drama e Melhor Atriz de Drama.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Clint Eastwood
Elenco: Clint Eastwood, Meryl Streep, Annie Corley, Victor Slezak, Jim Haynie, Sarah Kathryn Schmitt, George Orrison, Kyle Eastwood, Debra Monk, Phyllis Lyons.
Produção: Kathleen Kennedy, Clint Eastwood
Roteiro: Richard LaGravenese, baseado em livro de Robert James Waller
Fotografia: Jack N. Green
Trilha Sonora: Lennie Niehaus, Clint Eastwood
Duração: 135 min.
Ano: 1995
País: EUA
Gênero: Romance
Cor: Colorido
Estúdio: Warner Bros. / Amblin Entertainment / Malpaso Productions


sábado, 21 de janeiro de 2012

Abraci e Sebrae RJ organizam Seminário sobre a Lei 12.485


Economia criativa

Legislação do mercado audiovisual em debate

Seminário debaterá Lei 12.485, que estabelece cotas para programação nacional em TVs por assinatura e aumenta recursos do fundo setorial, dentre outros
Representantes de agências reguladoras do setor e das áreas de produção, distribuição e TV por assinatura estarão reunidos no dia 27 de janeiro, no seminário “Lei 12.485 e seu Impacto no Mercado Audiovisual”, para debater as alterações que a nova legislação trará às micro e pequenas empresas do setor audiovisual.

O evento, realizado pelo Sebrae/RJ, Associação Brasileira de Cineastas (Abraci) e Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), será dividido em três painéis: “Como a Lei 12.485 irá funcionar?”, “TV por assinatura e novas plataformas: sua nova realidade e benefícios com a lei” e “O impacto para micro e pequenos negócios do segmento”.

Sancionada pela presidente Dilma Roussef em setembro no ano passado, a nova legislação estabelece, dentre outras alterações, que canais de TV por assinatura devem exibir uma cota de programação nacional, a partir de 2013. Além disso, a lei cria uma nova modalidade de contribuição que aumentará os recursos do fundo setorial destinado ao audiovisual. Também serão alteradas as regras para instalação de serviços de TV a cabo. Até o final do mês, a Lei 12.485 está em consulta pública na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Os palestrantes já confirmados são: o presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Manoel Rangel; o vice-presidente de Negócios da ACRJ, Ricardo Salles; os cineastas Luiz Carlos Barreto e Tereza Trautman; o diretor-geral da Net, Fernando Ramos; o presidente do IETV, Nelson Hoineff; o fundador da Escola Audiovisual Cinema Nosso, Luis Nascimento; dentre outros.
Serviço:
Seminário "12.485 e seu Impacto no Mercado Audiovisual"
Data: 27 de janeiro, às 9h
Local: ACRJ – Rua da Candelária, 9 – Subsolo – Centro – Rio de Janeiro
Informações e inscrições:             0800-570-0800      
Gratuito. Vagas limitadas.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Hair chega a São Paulo com Kiara Sasso

Em plena Guerra do Vietnã, o mundo conhecia as dores e as delícias de uma época sui generis: o amor livre, o rock psicodélico, a filosofia oriental, a descoberta de drogas como o LSD e o estilo de vida dos hippies. Por outro lado, assistia ao primeiro conflito internacional televisionado e se indignava com os horrores da segregação racial e sexual. Neste caldeirão de acontecimentos, ‘Hair’ estreava em um pequeno teatro off-Broadway, em 1967. Não precisou de muito tempo para se tornar um fenômeno, migrar para o circuito principal e se propagar em dezenas de montagens ao redor do planeta.

Mais do que um espetáculo, ‘Hair’ se tornou um mito. Com a passagem do tempo, o musical se consagrou como espelho e uma das principais referências do movimento cultural e comportamental que mudou o mundo nas décadas de 60 e 70. Assinada por Charles Möeller e Claudio Botelho, esta nova montagem brasileira aporta em São Paulo a partir de 13 de janeiro, no Teatro Frei Caneca, após ser vista por mais de cem mil pessoas no Rio de Janeiro. A empreitada tem produção da Aventura Entretenimento (‘A Noviça Rebelde’, ‘O Despertar da Primavera’, ‘Gypsy’) e patrocínio da SulAmérica Seguros e Banco Volkswagen.

‘Ainda vivemos em guerra e os conflitos são muito parecidos e tão assustadores e sem sentido como o do Vietnã. Da mesma forma que ainda somos cheios de tabus e vivemos na intolerância. O grito de ‘Hair’ continua ecoando’, justificaCharles Möeller, que ressalta ainda todas as rupturas promovidas pelo espetáculo original, com texto de Gerome Ragni e James Rado e música de Galt MacDermot. Entre as novidades, estavam a relação direta com a plateia, uma emblemática cena de nudez frontal, a ausência de cenário e de uma coreografia formal.

‘Os autores estavam no lugar certo e na hora certa. Eles encenaram exatamente o que estavam vivendo, colocaram em letra e música aquilo que todos queriam falar. Não fizeram um musical, mas o manifesto de toda uma geração. Canções como ‘Aquarius’ viraram hinos até hoje’, explica Claudio Botelho. Para ele, a música é um dos fatores determinantes para a empatia do espetáculo com a plateia. A comunicação imediata é garantida pela mistura do rock – a principal voz dos jovens na época – com diversas sonoridades, como a música negra, que ainda não era divulgada para as massas, mantras orientais, letras psicodélicas e influências de música tribal.
  

Uma ‘tribo’ em cena

No palco, os atores são os instrumentos responsáveis por esta comunhão com o público. Através de cenas curtas, os personagens – integrantes de uma ‘tribo’ de hippies de Nova York – apresentam suas personalidades distintas, seus dilemas e seu peculiar estilo de vida. O coletivo é sempre destacado em cena, ainda que a trama principal gire em torno de Claude (Hugo Bonemer), jovem convocado para a Guerra do Vietnã, seu amigo Berger (Fernando Rocha), uma espécie de líder da tribo, a grávida Jeanie (Kiara Sasso) e a idealista Sheila (Carol Puntel). ‘O personagem principal da peça é a tribo’, analisa Charles.

Chegar aos 30 eleitos para compor esta ‘tribo’ não foi uma tarefa fácil.  Charles Möeller, Claudio Botelho, a coordenadora artística Tina Salles, a produtora de elenco Marcela Altberg, a produtora Aniela Jordan e o diretor musicalMarcelo Castro se depararam com mais de cinco mil inscrições para os testes, um recorde absoluto. Depois de uma primeira seleção, eles fizeram 700 audições, em um processo que durou três semanas. ‘É impressionante observar como a qualidade das audições aumentou em pouco tempo. Há sete anos, quando começamos a fazer testes, apenas 15% dos inscritos eram bons. Em ‘Hair’, mais de 85% foram excelentes, nunca vi nada igual. Acredito que o grande diferencial desta montagem será a força do elenco’, afirma Aniela Jordan, diretora executiva e sócia da Aventura Entretenimento.


Liberdade na recriação de um ícone

Nos bastidores, Charles e Claudio contam com a premiada equipe que os acompanhou nos últimos espetáculos. Vencedor dos prêmios Shell e APTR pela iluminação de ‘O Despertar da Primavera’, Paulo César Medeiros assina a luz da montagem. Marcelo Pies, vencedor do Prêmio Shell pelo trabalho no espetáculo, trabalha com uma infinidade de peças originais e acessórios de época na composição de um legítimo figurino hippie para a tribo. Rogério Falcão, por sua vez, é responsável por toda a cenografia do espetáculo, cujo visual tem inspiração direta no psicodelismo.

Se no espetáculo original o palco vazio e sem elementos era uma novidade, a montagem atual preferiu criar uma ambientação especial para a tribo. ‘Tudo se passa em um local abandonado, que poderia ser uma igreja, um hospital, um casarão’ explica Charles, que optou por suavizar as referências americanas do texto. Assim como em todos os outros espetáculos de Möeller & Botelho, os direitos de ‘Hair’ foram comprados com total liberdade na adaptação.

Esta versão autoral da dupla se completa com a colaboração do coreógrafo Alonso Barros (‘Sweet Charity’, ‘O Despertar da Primavera’), brasileiro radicado em Viena há 20 anos. Os extensos números de dança mobilizam todo o elenco e dialogam com a proposta de ‘não-coreografia’ do espetáculo original. O trabalho de dança inclui cenas de plateia em que o elenco sobe – literalmente – pelas cadeiras e espectadores, que ainda são convidados a subir no palco na canção final, a libertadora ‘Let the sunshine in’.


 O cronologia de um fenômeno

Também atores, Gerome Ragni e James Rado levaram três anos para chegar ao texto final de ‘Hair’. Durante esta gestação, eles absorveram as inúmeras referências e as rápidas transformações que o mundo vivia. Galt MacDermotse uniu à dupla no final de 1966 e, em apenas três meses, compôs toda a música do espetáculo, cuja sonoridade também remetia ao inconsciente coletivo jovem da época.

A estreia triunfante no circuito off-Broadway impulsionou a montagem para o circuito principal em pouco tempo. Em abril de 1968, ‘Hair’ estreava no Biltmore Theatre com mais um feito: a aprovação unânime de toda a tradicional crítica especializada. Mesmo alertando os leitores acerca das cenas de sexo, nudez e homossexualidade, os jornalistas se renderam por completo, caso do lendário Clive Barnes, temido e respeitado crítico do The New York Times.

Em sua resenha, ele ressalta a novidade, o frescor e toda a inventividade do que era mostrado. ‘É simples saber porque ‘Hair’ é tão adorado’, disse na época. Por conta da transgressão que é vista em cena, John Chapman, do Daily News, elogiava a montagem, mas frisava que não era um musical para levar uma dama, enquanto Richard Watts, do Post, afirmava que é difícil resistir à energia jovem do elenco.

O espetáculo seguiu em cartaz até 1973 e deu origem ao filme homônimo, dirigido por Milos Forman e lançado em 1979. Responsável por popularizar ainda mais a peça e as canções, o longa metragem optou por dar um tratamento menos psicodélico e estruturar o roteiro de forma cartesiana, privilegiando uma dramaturgia mais convencional. As mudanças envolveram os perfis dos personagens e até o enredo, que sofreu uma grande alteração em seu desfecho. Não à toa, os autores da peça rejeitaram enfaticamente o filme.


A Era de Aquarius no Brasil

Até hoje, um espetáculo da Broadway leva um certo tempo para ser encenado em outros países. Como mais uma prova do fenômeno coletivo que é ‘Hair’, o musical já estreava no Brasil em outubro de 1969. Depois de uma complicada negociação de direitos com os autores americanos e com a censura brasileira, a montagem – dirigida por Ademar Guerra – repetiu o sucesso e causou enorme polêmica na época, menos de um ano após a publicação do AI-5.

As apresentações repercutiam em todo o país e impulsionaram a carreira de artistas como a estreante Sonia Braga. Ao longo da temporada, que durou até 1972, nomes consagrados se revezaram nos elencos, como Antonio Fagundes,Nuno Leal Maia, Aracy Balabanian, Armando Bogus, Ariclê Perez e Ney Latorraca.

Depois de assistir à celebrada remontagem da diretora Diane Paulus em Nova York, em 2009, Charles Möeller e Claudio Botelho concordaram que era a hora de enfrentar o desafio, dar a visão da dupla para o musical e trazer o mito de ‘Hair’ de volta ao Brasil.  ‘Vendo a peça, a gente percebe como a juventude é parecida, em todas as épocas. O tempo é muito curto e transitório. Por isso mesmo, ‘Hair’ continua moderno e, mais do que isso, intenso’, resume Charles.


HAIR

LIBRETO E LETRAS 
Gerome Ragni
James Rado

MÚSICA
Galt MacDermot

VERSÃO BRASILEIRA
Claudio Botelho

DIREÇÃO
Charles Möeller

DIREÇÃO MUSICAL
Marcelo Castro

COREOGRAFIA
Alonso Barros

CENÁRIO
Rogério Falcão

FIGURINOS
Marcelo Pies

ILUMINAÇÃO
Paulo Cesar Medeiros

DESIGN DE SOM
Marcelo Claret

VISAGISMO
Dudu Meckelburg

COORDENAÇÃO ARTÍSTICA
Tina Salles

CASTING
Marcela Altberg

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Aniela Jordan e Luiz Calainho



ELENCO

Hugo Bonemer (Claude)
Fernando Rocha (Berger)
Carol Puntel (Sheila)
Kiara Sasso (Jeanie)
Marcel Octavio (Woof)
Reynaldo Machado (Hud)
Estrela Branco (Crissy)
Juliana Peppi (Dionne)
Davi Guilherme (Margaret Mead / Tribo)
Conrado Helt (Pai de Claude / Tribo)
Bruna Guerin (Mãe de Claude / Tribo)



Tribo:

Bruno Kimura
Carlos Martin
Cássia Rachel
Daniel Nunes
Emerson Spíndola
Esdras de Lucia
Giselle Lima
Jennifer do Nascimento
Juliana Lago
Juliana Zuba
Kassius Trindade
Kotoe Karasawa
Mariana Gallindo
Renan Mattos
Ricardo Nunes
Rooney Tuareg
Sergio Dalcin
Stephanie Serrat Emery
Vanessa Costa


REALIZAÇÃO


UM ESPETÁCULO DE
Charles Möeller e Claudio Botelho

 SERVIÇO:

Estreia dia 13 de janeiro

Temporada de 13 de janeiro a 29 de abril

Teatro Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 - Shopping Frei Caneca, 6º andar
Tel:                         (11) 3472-2226 begin_of_the_skype_highlighting            (11) 3472-2226      end_of_the_skype_highlighting             / 2229-2230

Quintas, às 21h. Sextas, às 21h30. Sábados, às 18h e 21h30. Domingos, às 18h.

Ingressos: R$130 (qui / sex) e R$ 160 (sáb / dom).

Vendas pela internet: www.ingressorapido.com.br

Duração do espetáculo: 130 minutos (com intervalo de 15 minutos)
Classificação etária: 14 anos


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